quarta-feira, 15 de julho de 2009

A Mão Esquerda da Escuridão – Ursula Kroeber Le Guin (1969)

Nosso primeiro livro discutido foi a ficção científica A Mão Esquerda da Escuridão, da escritora americana Ursula Kroeber Le Guin, tida como escritora ideal de ficção científica para os leitores que não gostam de ficção científica. Ursula K. Le Guin ganhou com A Mão Esquerda da Escuridão os principais prêmios para ficções científicas Nebula (1969) e Hugo (1970).

Quem escolheu: Raoní

“Escolhi este livro depois de ter assistido ao filme O Clube de Leitura de Jane Austen, onde um dos personagens que só gostava de ler ficção científica (eu) participa deste clube de leitura dos romances água com açúcar de Jane Austen. Ao longo do filme ele convence uma das personagens (a que ele queria dar uma chuliapada, óbvio) a ler A Mão Esquerda da Escuridão. Ela resiste, resiste, mas no final acaba gostando (do livro, gente, do livro). Eis que um neurônio, ainda meio dormindo, diz: eu gosto de ficção científica + grupo com maioria de garotasQueGostamDeLivrosÁguaComAçúcarInclusiveLeramTodosOsCrepúsculos + Ursula Le Guin escreve pra quem não gosta de ficção científica = A Mão Esquerda da Escuridão como primeiro livro a ser discutido.”

Sobre o livro – Resumo das opiniões

Um dos pontos fortes do livro é o próprio planeta Gethen, ou planeta Inverno. No auge de uma era glacial, impõe a seus habitantes um clima hostil de frio constante. Isto se reflete no comportamento destes indivíduos, onde tudo é lento e sem pressa. Os dois países Karhide e Orgoreyn possuem um conflito territorial histórico e nunca haviam pensado em entrar em guerra. Não por um idealismo pacífico, e mais por serem sempre constantes, estáveis. Inclusive, a forma de pensar destes indivíduos, nusuth – não importa, traduz a influência do frio em suas vidas.

Para explicar a cultura e como vivem os habitantes de Inverno, Ursula dedicou alguns pequenos capítulos espalhados ao longo do livro só para isso. Sob a forma de contos e lendas, conseguiu situar o leitor no povo de Gethen, sem precisar divagar no meio da história principal, o que provavelmente tornaria a leitura cansativa.

Mas A Mão Esquerda da Escuridão foi realmente considerado uma boa ficção científica principalmente por levantar uma discussão sobre os gêneros masculino e feminino, e como esta dualidade na essência da nossa realidade interfere diretamente na sociedade. No planeta em que se passa a trama do livro só existe um sexo, um gênero, e cada indivíduo pode assumir o papel de macho ou fêmea se receber estímulo sexual apropriado durante seu período fértil (semelhante ao da mulher). Sendo assim, em quase todo o tempo, a sociedade segue sob pouca ou nenhuma interferência da tensão sexual tão presente no nosso mundo. Em uma passagem do livro, o personagem principal diz: “Suponho que a coisa mais importante, o fator único de maior peso na via do indivíduo, é se ele nasceu macho ou fêmea. Na maior parte das sociedades, isto determina suas expectativas, atividades, pontos de vista, ética, maneiras, quase tudo. Vocabulário, vestuário, até mesmo alimentação.

Infelizmente, por mais que esta seja a principal metáfora que Ursula nos traz, o livro não discute muito isso. A dificuldade que Genly Ai, o personagem principal, humano, tem em compreender os comportamentos andróginos destes indivíduos, tornou o ambiente em que estava mergulhado muito rico de sutilizas e prendeu a atenção de todos os leitores. Entretanto, a escritora gasta muito tempo da narrativa na trama política entre Karhide, Orgoreyn e a Comunidade Ecumênica que Genly Ai representava. Outro momento do livro que o grupo criticou com unanimidade foi a fuga de Genly Ai e Estraven da 3ª Fazenda Voluntária de Pulefen, uma jornada através de um deserto de gelo que se estendeu por monótonas sessenta páginas.

Impressões gerais

As impressões gerais sob A Mão Esquerda da Escuridão foram homogeneas. O livro traz uma realidade interessante, personagens com características únicas e uma narrativa, na maior parte do livro, bastante dinâmica. Levando em consideração a discussão resumida acima, o grupo deu uma nota de 7,5 para o livro.

Próximo!

Seja bem vindo!

Rebeca, prima de Mariana, estudava com Érika, que casou com Hugo, que conheceu Raoní, namorado de Rebeca. Mariana foi apresentada por Rebeca para Raoní, Hugo e Érika. Raoní e Rebeca leram um livro recomendado por Mariana. Érika e Rebeca leram livros em comum e discutiram sobre eles. Hugo leu um livro recomendado por Raoní, que tinha lido livros de Rebeca e um livro recomendado pelo Hugo. Enfim, no meio desta bagunça de livros emprestados surgiu o grupo de leitura Café com Impressões.
Este blog não tem como objetivo trazer resumos dos livros, mas sim dividir com você que está lendo um pouco das discussões sobre as obras que são escolhidas pelo grupo.