quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Dona Flor e seus dois maridos - Jorge Amado







O livro escolhido da vez foi o Dona Flor e seus dois maridos, do escritor baiano Jorge Amado, membro da Academia Brasileira de letras. Os motivos que me levaram a escolher tal livro foi, primeiramente, a intenção de escolher um autor brasileiro por meio do qual pudéssemos nos familiarizar um pouco mais com nossa literatura nacional, e, em segundo lugar, o fato de que já tinha lido outro livro do autor (Capitães de areia) e tinha gostado muito.




Dona Flor e seus dois maridos é um relato extenso, detalhado e bem humorado da vida de Dona Flor, uma professora de culinária baiana que, após ficar viúva de seu primeiro marido, Vadinho, se casa com Teodoro e com ele vive uma rotina calma e feliz até que o espírito do falecido reaparece.




É interessante notar que as características que determinam os dois maridos de Dona Flor são totalmente discrepantes. Vadinho, o funcionário fantasma da prefeitura, era boêmio, brincalhão, infiel, carinhoso, vagabundo, viciado em jogo e, ainda assim, fazia de Dona Flor uma mulher apaixonada. Já Teodoro, o farmacêutico, era sério, trabalhador, fiel, gentil e responsável, o típico marido ideal que, ainda assim, deixava Dona Flor com aquela sensação de que algo estava faltando. Na verdade, Dona Flor não fora plenamente feliz e nenhum de seus casamentos: ora lhe faltava um homem que lhe fornecesse alguma segurança perante a sociedade, ora lhe faltava um que a satisfizesse sexualmente. Tal equilíbrio só foi alcançado quando Dona Flor e seus dois maridos passaram a coexistir de uma maneira fantástica, irreal, com o aparecimento do espírito de Vadinho. Irônico ou não, somente de uma forma totalmente impossível a felicidade plena foi atingida.




Fora o enredo inesperado do livro, não podemos deixar de notar algumas características que fizeram desse livro um clássico da literatura nacional. Além de ser extremamente detalhista na caracterização das personagens, permitida pelas digressões constantes em que o autor nos fornece breves narrações sobre situações passadas, o tom bem-humorado da narrativa, bem como a forma coloquial com que o autor apresenta os fatos fazem com que imaginemos perfeitamente as cenas, como se fizéssemos parte da história. Talvez sejam essas características que tenham feito das obras de Jorge Amado uma matéria-prima rica para as telenovelas.




Outra característica interessante do livro é a presença de personagens da vida real, tal como o cantor Dorival Caymmi, além da mensão a lugares que realmente fazem parte da história baiana, como a escola de culinária Sabor e Arte, de propriedade de dona Flor na ficção. Todas essas alusões servem para nos deixar com aquela dúvida: será que as personagens realmente existiram? Estava o autor contanto histórias verídicas? Tais perguntas perdem a importância perto do fato de que a ficção é sempre inspirada, direta ou indiretamente, pela vida real. Quantas Florípedes, Waldomiros e Teodoros já não conhecemos ou ouvimos falar?




A média da nota que o grupo deu para o livro foi 9,00. O único fator negativo apontado foi o excesso de detalhamento em algumas situações narradas, as quais, por diversas vezes, não desempenharam um papel relevante para o desenvolvimento do enredo.


Cartaz do filme lançado em 1976, a maior bilheteria de filme nacional. Recebeu também a indicação ao Globo de Ouro como melhor filme estrangeiro.

3 comentários:

Bernardo disse...

Como falei no dia do nosso encontro, Jorge Amado é um dos meus escritores preferidos. Além de “D. Flor...” e “Gabriela...”, gosto muito de duas novelas: “A morte e a morte de Quincas Berro D´àgua” e “Capitão de longo-curso” (em algumas edições epigrafado “Velhos Marinheiros”).
Antes de tudo, J. Amado é para mim um contador de estórias, daqueles que reúne em torno de si um grupo de amigos e - sem se preocupar muito com tempo ou rigor formal - fala sobre fatos e pessoas.
Nesse contexto, nada mais natural que a profusão de casos, personagens e idas e vindas na narrativa. Suas personagens não são descritas, mas reveladas: narram-se suas relações com os outros, fatos do passado etc. Com efeito, o que pode parecer falta de concisão faz parte do seu estilo, que é também marcado pela criatividade, coloquialidade, leveza e bom humor.
Abraços!

Raoní disse...

Muito bom, Rebeca. Pena que eu não pude ler esse livro. Mas no próximo encontro, estarei 100% participando. O Retrato de Dorian Gray, aqui vaos nós!

vida de adolescente ! disse...

olá , adorei o blog, alguém poderia me ajudar, preciso do roteiro da peça Dona flor e seus dois maridos. Ficaria muito feliz se conseguirem.

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